Mesmo após uma condenação por estelionato, o caso de Marcos Rodrigues Fontana mostra como golpes que exploram a fé continuam fazendo vítimas no Brasil. Aos 65 anos, ele voltou a se apresentar como padre desta vez em São Paulo e, segundo denúncias, utilizou a confiança de famílias religiosas para obter dinheiro com promessas falsas.
A história ganhou repercussão após o relato da artista plástica Elisa Stecca, que manteve contato com o homem por mais de uma década e ajudou a denunciar o caso.
Segundo Elisa, Fontana não apenas se apresentava como padre, mas construía cuidadosamente toda uma imagem ao redor disso. Ele utilizava vestes religiosas, participava de celebrações e demonstrava uma postura que transmitia credibilidade.
“Parecia realmente um padre vocacionado”, relatou. A aproximação começou por meio de familiares e, aos poucos, ele passou a frequentar encontros íntimos, como aniversários e reuniões de fim de ano, até se tornar uma figura presente na rotina da família.
Esse tipo de estratégia não é incomum em golpes desse tipo: o criminoso não age com pressa, mas investe tempo na construção de confiança.
O ponto central da fraude, segundo a denúncia, girava em torno de um suposto orfanato. Fontana alegava manter uma instituição que acolhia crianças em situação de vulnerabilidade e pedia doações para custear despesas.
Movida pela intenção de ajudar, Elisa chegou a contribuir financeiramente, especialmente após um momento delicado com a morte da mãe. “Eu me sentia feliz em ajudar”, contou.
Mas, com o tempo, os pedidos se tornaram frequentes e começaram a levantar suspeitas.
O que inicialmente parecia uma causa nobre começou a apresentar inconsistências. A falta de comprovação sobre o orfanato e a recusa em permitir visitas ao local foram sinais de alerta.
“Elisa relata que pediu para conhecer as crianças e entregar as doações pessoalmente, mas ele sempre evitava”, o que acabou fortalecendo a desconfiança.
Esse tipo de comportamento evitar transparência e dificultar verificações é um dos principais indícios de golpes envolvendo falsas instituições beneficentes.
Casos como esse não são isolados. Golpes que utilizam símbolos religiosos e causas sociais continuam sendo comuns justamente porque exploram dois fatores poderosos: a fé e a solidariedade.
Especialistas alertam que criminosos tendem a atuar em ambientes onde há confiança pré-estabelecida, como igrejas e comunidades religiosas, tornando as vítimas mais vulneráveis.



