A 33ª edição da Marcha para Jesus em São Paulo, realizada nesta quinta-feira (19), foi marcada por um gesto simbólico e politicamente carregado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Enrolado em uma bandeira de Israel, o chefe do Executivo paulista subiu no trio elétrico e puxou o louvor “1.000 Graus”, diante de uma multidão de fiéis que também agitava bandeiras de Israel e do Brasil. O ato acontece em meio a um novo capítulo de tensão no Oriente Médio, com confrontos recentes entre Israel e Irã, e, por aqui, num cenário pré-eleitoral em que o campo conservador já se movimenta.
O evento não era apenas religioso — também foi pessoal para Tarcísio, que comemorou seu aniversário de 50 anos em clima de festa e adoração. Ao seu lado, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), reforçou a dobradinha político-religiosa que se repete em eventos desse tipo: palanque, fé e popularidade entre os evangélicos.
Com concentração na estação da Luz, no centro, os participantes seguiram até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte, onde dezenas de atrações musicais animaram o público. Entre os artistas escalados estavam nomes consagrados da música gospel, como Aline Barros, Fernanda Brum, Thalles Roberto e Ton Carfi.
A Marcha, que acontece tradicionalmente no feriado de Corpus Christi, se consolida cada vez mais como vitrine de influência política e religiosa. Com evangélicos representando mais de 30% da população brasileira e crescendo, especialmente entre os jovens, gestos como o de Tarcísio têm um peso que vai muito além do palco.
Ao empunhar a bandeira de Israel, o governador se alinha não apenas com pautas religiosas, mas com uma simbologia forte para a comunidade evangélica, que vê na nação israelense um elo espiritual e profético. É um movimento que já foi usado por nomes como Jair Bolsonaro e que, ao que tudo indica, continuará sendo explorado por políticos que buscam apoio nesse segmento.
Em tempos em que fé, política e geopolítica caminham lado a lado, a Marcha para Jesus mais uma vez mostrou que o altar e o palanque seguem próximos — e que, para muitos, isso é motivo de louvor.



