Globo aposta na música religiosa e leva bispa Sonia Hernandes para especial sobre fé em São Paulo

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Na próxima sexta-feira, 8 de agosto, a TV Globo vai exibir, logo após o Globo Repórter, o primeiro episódio da série Sons de São Paulo – Música Religiosa. A produção promete mergulhar na diversidade de expressões de fé da capital paulista, passando por igrejas evangélicas, templos católicos e espaços de matriz africana.

Entre os nomes confirmados, chama atenção a presença da bispa Sonia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo e líder do grupo gospel Renascer Praise. Em uma das chamadas já exibidas nos intervalos da emissora, Sonia resume o espírito do especial: “Quando você está muito próximo da presença de Deus, não tem como não adorar.”

A escolha da Globo em dar destaque a uma das vozes mais conhecidas do movimento evangélico brasileiro não passa despercebida. Historicamente, a emissora e os fiéis protestantes viveram uma relação marcada por tensões e desconfiança. Nos anos 1990 e 2000, personagens evangélicos em novelas foram frequentemente retratados de forma caricata ou negativa, o que alimentou críticas de líderes religiosos. O atrito ganhou ainda mais força após a compra da RecordTV pelo bispo Edir Macedo, em 1989, transformando a emissora de Silvio Santos em rival direta da Globo no campo da comunicação.

Nos últimos anos, no entanto, a Globo vem sinalizando uma mudança de postura. Cantores gospel passaram a frequentar programas de auditório, novelas incluíram protagonistas evangélicos com representações mais realistas e positivas — como Sol, vivida por Sheron Menezzes em Vai na Fé (2023) — e especiais temáticos foram incorporados à grade.

O episódio de Sons de São Paulo – Música Religiosa vai além do universo evangélico. O público verá também os cânticos católicos tradicionais, assim como os ritmos afro-brasileiros que dão o tom em celebrações de candomblé e umbanda. A proposta é mostrar como a música se tornou um dos principais canais de conexão espiritual na cidade mais populosa do país.

Mais do que um programa cultural, a atração é um gesto estratégico: a Globo busca dialogar com um público evangélico que já representa 26,9% da população brasileira, segundo o Censo 2022 do IBGE, e que se tornou força social, política e midiática. Ao abrir espaço para Sonia Hernandes, a emissora sinaliza que entende o peso desse segmento e tenta se aproximar de forma menos estereotipada e mais respeitosa.

Se dará certo? O episódio desta sexta deve ser o primeiro termômetro.

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