A Band voltou a abrir espaço em sua grade de programação para a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), liderada pelo bispo Edir Macedo. Desde esta terça-feira (9), a emissora passou a transmitir conteúdos religiosos da denominação entre 2h e 6h da manhã.
O contrato, segundo fontes do mercado, gira em torno de R$ 4 milhões mensais, valor considerado alinhado com a nova realidade de negociações entre emissoras e igrejas evangélicas. No passado, esses acordos chegavam a cifras ainda mais altas, mas a crise no setor reduziu a margem de investimento.
A decisão da Band é também estratégica: a faixa da madrugada vinha registrando audiência baixa, com médias de 0,2 a 0,3 ponto, ocupada apenas por reprises do Jornal da Band e programas esportivos — horários que não despertavam interesse de anunciantes.
O acordo prevê expansão progressiva da presença da Universal:
- Novembro de 2025 → transmissão até as 7h;
- Abril de 2026 → ampliação até as 8h.
Esse movimento marca o retorno da IURD à Band, já que a parceria havia se encerrado em 2018. Paralelamente, os dois grupos continuam conectados por meio da Rede 21, canal do grupo Bandeirantes, no qual a igreja aluga 22 horas diárias.
Com o novo contrato, a Universal passa a ocupar a madrugada de duas grandes redes nacionais: a Record TV, emissora controlada por Edir Macedo, e agora a Band. Estimativas do setor apontam que a igreja gasta cerca de R$ 400 milhões por ano com compra de horários na TV aberta.
Enquanto isso, apenas Globo e SBT seguem resistindo à prática de terceirização de suas madrugadas, mantendo programação própria. Já a RedeTV! mantém acordo semelhante com a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares.
O caso reacende o debate sobre o espaço ocupado por grupos religiosos em concessões públicas de TV e sobre a dependência financeira das emissoras em relação a esses contratos. Para uns, é uma forma legítima de sustento do setor; para outros, um desequilíbrio que favorece igrejas bilionárias em detrimento da pluralidade de conteúdos.



