Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi transferido para a chamada Papudinha uma ala prisional no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, especialistas alertaram que a rotina dele ali mudaria drasticamente. Entre guarda rígida, supervisão médica 24h e regras estritas de visita, um elemento inesperado ganhou atenção: o apoio espiritual autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Essa assistência religiosa será feita, conforme decisão judicial, pelo bispo e líder evangélico Robson Rodovalho, fundador da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra e conhecido aliado de Bolsonaro desde a década de 2000, quando ambos eram deputados federais.
Rodovalho, que sempre descreveu seu trabalho como uma missão de fé, declarou que aceitou o convite ainda em dezembro e que seu enfoque não é apenas orar, mas “escutar, orientar e tentar reorganizar interiormente” quem enfrenta sofrimento intenso. A escolha dele, porém, não se resume a um gesto religioso: é um sinal claro do papel que os líderes evangélicos continuam a desempenhar na política brasileira, mesmo em meio a uma crise que divide opiniões no país.
Nos encontros já realizados, Rodovalho relatou que Bolsonaro aparece visivelmente mais frágil, sonolento e com dificuldade para se alimentar efeitos, segundo o bispo, de medicamentos pesados e de um quadro de soluços persistentes que o impede de dormir.
A própria equipe do ex-presidente confirmou episódios de tontura e mal-estar durante as visitas, as quais duraram cerca de 40 minutos e incluíram orações e leituras bíblicas. Familiares chegaram a falar em preocupações quanto à medicação e à fragilidade física, lançando mão desse argumento em pedidos para que Bolsonaro cumpra o restante da pena em prisão domiciliar.
A presença de Rodovalho, além do aspecto pastoral, aparece como um símbolo de resiliência política e narrativa social. Líder de uma das maiores igrejas evangélicas do país com mais de mil templos Rodovalho tem influência significativa entre fiéis e apoiadores de Bolsonaro, ampliando a dimensão desse encontro além dos muros da Papudinha.
Por outro lado, críticos argumentam que a autorização de assistência religiosa específica em um caso tão politizado pode reforçar sentimentos de polarização e favorecimento simbólico, especialmente quando comparada à discussão recente sobre outros pedidos negados pelo STF envolvendo figuras políticas ligadas ao ex-mandatário.



