Crítica de padre a Nikolas Ferreira em missa provoca reação dura de parlamentares da direita

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Imagem Reprodução: Redes Sociais

Uma homilia celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, maior templo católico do país, saiu do ambiente religioso e ganhou contornos políticos nos últimos dias. O motivo foi a repercussão de falas do padre Ferdinando Mancilio, feitas durante uma missa no dia 25 de janeiro, nas quais o sacerdote criticou duramente a caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rumo a Brasília e também condenou o discurso armamentista presente no debate político atual.

Embora as declarações tenham ocorrido há algumas semanas, o tema ganhou força após a circulação de vídeos nas redes sociais, impulsionados por perfis políticos e parlamentares alinhados à direita. Durante a celebração, Mancilio afirmou que armas existem apenas para “ferir e matar” e questionou a legitimidade de manifestações políticas que, segundo ele, se apresentam como defesa da vida sem histórico concreto de ações em favor da população.

Sem citar diretamente o nome de Nikolas Ferreira, o padre foi claro ao afirmar que “não adianta querer fazer uma marcha para Brasília” quando o objetivo real seria, em sua avaliação, a busca pelo poder político. A fala foi interpretada por aliados do deputado como um ataque direto e ideológico, provocando uma reação imediata no Congresso.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara, adotou um tom agressivo ao classificar Mancilio como “padre esquerdista, comunista” e afirmar que ele seria uma “vergonha para a Igreja Católica”. A crítica não ficou restrita a Sóstenes. O deputado José Medeiros (PL-MT) também se manifestou, dizendo que o religioso não estaria defendendo a paz, mas sim interesses partidários, acusando-o de ridicularizar ao mesmo tempo a marcha para Brasília e o direito à autodefesa.

O senador Magno Malta (PL-ES) seguiu a mesma linha e atacou o padre por, segundo ele, não ter “coragem” de citar diretamente o nome de Nikolas Ferreira, além de reforçar o rótulo de alinhamento à esquerda.

O episódio reacende um debate recorrente no Brasil: até onde vai o papel de líderes religiosos ao abordar temas políticos a partir do púlpito? Enquanto setores conservadores defendem que igrejas devem se manter afastadas de críticas a figuras da direita, outros lembram que a Igreja Católica, historicamente, sempre se posicionou sobre temas sociais, violência e justiça, independentemente de partidos.

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