Brasil celebra primeiro Dia da Música Gospel em 9 de junho, homenageando hinos e tradição

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Imagem Canva Pro

Nesta segunda-feira, 9 de junho de 2025, o Brasil comemora pela primeira vez o Dia da Música Gospel. A data foi sancionada pela Lei nº 14.998/24, em outubro do ano passado, e nasceu do Projeto de Lei 3.090/23, de autoria do deputado e também sanfoneiro gospel Raimundo Santos (PSD-PA). A ideia é dar visibilidade a um gênero que carrega peso cultural, espiritual e econômico no país.

A escolha do dia não foi por acaso — 9 de junho também é o aniversário da missionária sueca Frida Maria Strandberg Vingren (1891‑1940). Ela traduziu mais de 20 hinos presentes na tradicional Harpa Cristã e foi um marco no evangelismo brasileiro.

Dados da Abramus revelam que a música gospel já representa cerca de 20% do mercado fonográfico nacional. Também chama atenção o crescimento de 240% nos streams do gênero no Spotify nos últimos cinco anos — sendo 70% desse avanço concentrado apenas em 2023. Isso confirma que não é apenas dentro das igrejas que a música cristã se faz presente.

No Réveillon de Copacabana, no Rio, 2025 marcou um divisor de águas: pela primeira vez, houve um palco exclusivamente dedicado ao gospel, com artistas como Midian Lima, Fernanda Brum e Mattos Nascimento — um movimento claro da música sacra ganhando espaço nos grandes eventos.

A presença do gospel não se resume ao streaming. Igrejas jovens como Lagoinha, Reino Church e Bola de Neve têm investido pesado na experiência do público, com iluminação cênica, camadas acústicas, ambientes instagramáveis e até paredes pretas — referências visuais semelhantes a estúdios ou casas de shows.

Segundo a Liberty Engenharia, há uma demanda crescente por forros acústicos, que equilibram sonoridade e conforto térmico. Isso demonstra que a música gospel está se profissionalizando e tratando seus espaços como ambientes de arte e cultura, e não apenas liturgia.

A pesquisa Cultura nas Capitais, realizada pela JLeiva Cultura & Esporte, revela que 25% dos cariocas têm preferência por música gospel — número que só fica atrás de MPB e pagode. No YouTube Brasil em 2024, dois entre os 10 vídeos musicais mais assistidos foram gospel, como “Passa lá em casa Jesus” (Kailane Frauches) e “Bênçãos que não têm fim” (Isadora Pompeo).

O professor Paulo Gracino de Souza Junior (UnB) observa que “você entra no supermercado… e escuta gospel no rádio”, demonstrando que o gênero já permeia o cotidiano e atrai inclusive quem não tem vínculo com a fé cristã.

O Dia da Música Gospel é mais que uma data no calendário: é um reconhecimento oficial de um segmento que movimenta a cultura, a economia e o espírito de milhões de brasileiros. Ao homenagear Frida Vingren, também resgatamos uma história de pioneirismo feminino no evangelho. Mas simbólico e real não são opostos: refletir sobre streaming, eventos e investimento em estrutura revela como a música gospel se profissionalizou sem perder a essência.

Que essa celebração estimule não apenas o consumo musical, mas também o diálogo intergeracional, o desenvolvimento artístico e a tolerância religiosa — afinal, louvor pode ecoar além dos templos.

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