Eduardo Bueno é indiciado por discriminação religiosa após dizer que “evangélico não tem que votar”

0
6
Imagem Reprodução Youtube

Eduardo Bueno, Peninha, evangélicos, discriminação religiosa, intolerância religiosa, Polícia Civil RS, preconceito religioso, liberdade de expressão, Lei 7716, Nikolas Ferreira, YouTube, Polícia Federal

O historiador e escritor Eduardo Bueno, conhecido nacionalmente como “Peninha”, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por discriminação religiosa contra evangélicos após declarações feitas em um vídeo publicado em seu canal no YouTube. A decisão, divulgada nesta semana, reacendeu debates sobre intolerância religiosa, liberdade de expressão e os limites do discurso político nas redes sociais.

A investigação teve início em fevereiro, depois da repercussão de um vídeo em que o escritor afirmou que “evangélico não tem que votar”. A fala ocorreu durante um comentário em tom de deboche sobre um episódio envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira.

Segundo a Polícia Civil gaúcha, o delegado Vinicius Nahan concluiu que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e configurou possível prática de preconceito religioso, enquadrada na Lei Federal 7.716/89, legislação que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito por raça, etnia, religião ou procedência nacional.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, a gravidade da declaração estaria justamente na defesa da retirada de direitos políticos de um grupo específico em razão de sua crença religiosa.

“A discriminação por motivação religiosa feita pela internet tem o entendimento que o fato de ter defendido a retirada de direitos políticos de um grupo social em razão de sua religião configura o crime de preconceito religioso”, afirmou Vinicius Nahan.

O vídeo, intitulado “Com Mil Raios”, acabou removido da plataforma após decisão judicial. Na gravação, Eduardo Bueno ironizou um episódio envolvendo um raio durante um evento político e, em seguida, direcionou críticas aos evangélicos.

“Devia ser proibido evangélico votar”, afirmou o escritor em um dos trechos que passaram a circular amplamente nas redes sociais.

O caso agora será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça ou se arquiva o procedimento. Paralelamente, a fala também passou a ser investigada pela Polícia Federal em Porto Alegre.

A repercussão política foi imediata. O deputado estadual Leonardo Siqueira, do NOVO, protocolou representação no Ministério Público de São Paulo alegando possível prática de discurso de ódio e intolerância religiosa.

O episódio ampliou novamente uma discussão que vem crescendo no Brasil nos últimos anos: até que ponto críticas políticas ou ideológicas podem atingir grupos religiosos sem configurar discriminação.

Embora Eduardo Bueno tenha forte presença no debate político e histórico nas redes sociais, críticos apontam que suas declarações recentes passaram a adotar um tom cada vez mais agressivo contra figuras conservadoras e setores religiosos. O escritor já esteve envolvido em outras polêmicas por comentários direcionados a personalidades da direita brasileira.

Especialistas em direito digital e liberdade de expressão têm destacado que o ambiente das redes sociais tornou mais frequente a judicialização de falas públicas, especialmente quando envolvem religião, raça ou grupos sociais específicos. Ao mesmo tempo, defensores da responsabilização afirmam que liberdade de expressão não protege discursos que incentivem exclusão de direitos civis ou políticos.

O caso de Eduardo Bueno agora entra em uma nova etapa jurídica e deve continuar gerando repercussão tanto no meio político quanto no religioso, especialmente entre lideranças evangélicas que consideraram as declarações ofensivas e discriminatórias.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here