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O retorno de Cabo Daciolo ao cenário político nacional já começou cercado de polêmica e, como de costume, com declarações explosivas. Recém-filiado ao partido Mobiliza, antigo PMN, o ex-deputado federal voltou aos holofotes mirando justamente um dos grupos com os quais já teve proximidade: a bancada evangélica no Congresso Nacional.
Em entrevista concedida após oficializar sua nova filiação partidária, Daciolo disparou críticas duras contra parlamentares ligados ao segmento cristão, afirmando que a frente evangélica se transformou em um espaço de interesses pessoais e enriquecimento político.
“A bancada evangélica é a pior que tem. Eles usam a Palavra para se enriquecer”, afirmou o ex-parlamentar.
A fala repercutiu rapidamente nas redes sociais e ampliou um debate que há anos divide o eleitorado evangélico: o papel da religião dentro da política institucional brasileira.
Daciolo, que ficou conhecido nacionalmente por discursos inflamados, referências bíblicas constantes e pelo bordão “Glória a Deus”, foi deputado federal entre 2015 e 2019. Durante o mandato, ganhou notoriedade tanto por posições conservadoras quanto pelo estilo considerado imprevisível dentro da Câmara dos Deputados.
Agora, ao voltar ao debate eleitoral mirando 2026, ele tenta ocupar um espaço diferente: o de crítico direto da própria estrutura evangélica que domina parte significativa do Congresso.
Na entrevista, o ex-deputado afirmou que muitos parlamentares ligados às igrejas abandonaram princípios cristãos para servir a interesses políticos e econômicos. Segundo ele, existe uma instrumentalização da fé para manutenção de poder.
Daciolo também afirmou enxergar influência de interesses internacionais na política brasileira, citando Estados Unidos e China como forças que, segundo sua visão, influenciam decisões tomadas por lideranças políticas nacionais.
Sem apresentar provas, o político declarou que tanto setores governistas quanto parte da oposição fariam parte de um mesmo sistema político que mantém o país dividido.
Ao citar princípios bíblicos durante a entrevista, Daciolo disse acreditar que a atual polarização política enfraquece o Brasil. Para ele, líderes religiosos que entram na política carregam uma responsabilidade maior diante da população responsabilidade que, segundo afirmou, muitos abandonaram ao longo dos últimos anos.
O discurso sinaliza qual deve ser a principal estratégia política do ex-deputado para as eleições de 2026: dialogar diretamente com eleitores evangélicos decepcionados com o envolvimento crescente de igrejas e lideranças religiosas na política partidária.
Nos últimos anos, a bancada evangélica consolidou forte influência em Brasília, especialmente em pautas ligadas a costumes, família, liberdade religiosa e educação. O grupo reúne parlamentares de diferentes partidos e possui peso relevante em votações importantes no Congresso Nacional.
Ao atacar diretamente essa estrutura, Daciolo tenta se diferenciar justamente dentro do campo conservador e religioso, apostando em um discurso anti-establishment e de enfrentamento ao que chama de “sistema”.
Apesar de ainda não haver confirmação oficial de candidatura presidencial, aliados do ex-deputado já admitem que ele pretende disputar espaço nacional novamente em 2026.
Com seu estilo performático, linguagem religiosa intensa e forte presença nas redes sociais, Cabo Daciolo promete voltar a ocupar espaço no debate político brasileiro desta vez, não apenas como outsider, mas como um dos principais críticos da relação entre religião e poder no país.



