A Igreja Universal do Reino de Deus prepara uma mobilização inédita para a Sexta-feira da Paixão, no dia 3 de abril de 2026. A denominação alugou nove estádios de futebol em diferentes regiões do Brasil para realizar o evento “Família ao Pé da Cruz” uma ação que mistura fé, estratégia e demonstração de poder.
Entre os locais escolhidos estão arenas simbólicas como o Maracanã, a Neo Química Arena e o Estádio do Pacaembu, além de espaços em cidades como Brasília, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Belém e Teresina.
A escolha de múltiplos estádios simultaneamente não é apenas logística é simbólica. A iniciativa reforça a capacidade de mobilização da igreja em escala nacional e projeta sua relevância em um momento sensível do cenário político.
O evento é liderado pelo bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e apontado como sucessor no comando da denominação. Internamente, a ação é vista como uma demonstração de força institucional diante de articulações políticas em curso no país.
Além do caráter religioso, o “Família ao Pé da Cruz” carrega um pano de fundo político evidente. A Universal, historicamente ligada ao Republicanos, busca reafirmar seu peso nas negociações com lideranças como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, há a percepção de que o segmento evangélico segue sendo decisivo nas eleições e eventos dessa magnitude funcionam como vitrine de influência e capacidade de mobilização eleitoral.
A operação também chama atenção pelos custos. O aluguel de grandes arenas no Brasil pode alcançar cifras milionárias. Para efeito de comparação, eventos recentes indicam valores como quase R$ 3 milhões pela Neo Química Arena e mais de R$ 1 milhão pelo Pacaembu.
Além disso, a participação de recursos públicos em eventos religiosos como já ocorreu em iniciativas anteriores reacende o debate sobre os limites entre Estado e religião.
A relação da Igreja Universal com a política brasileira é marcada por fases distintas. Já houve períodos de forte oposição ao PT, seguidos por momentos de aproximação com governos de esquerda e, mais recentemente, alinhamento com o campo conservador.
Hoje, o partido Republicanos busca uma estratégia mais equilibrada, evitando compromissos definitivos no primeiro turno e focando em fortalecer sua base no Congresso.



