Vereador propõe transformar montes de oração em patrimônio cultural no Rio de Janeiro

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Imagem Canva Pro

O vereador Salvino Oliveira apresentou na Câmara Municipal do Rio de Janeiro o Projeto de Lei nº 1690/2025, que propõe reconhecer quatro montes de oração como patrimônio religioso e cultural da cidade. A iniciativa reacende o debate sobre o papel da fé na ocupação dos espaços urbanos e na preservação de tradições populares.

A proposta contempla locais já conhecidos entre fiéis, como o Monte das Oliveiras e o Monte Sião, em Campo Grande; o Monte das Três Torres, na Rocinha; e o Monte Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Esses pontos, há anos frequentados por cristãos, se consolidaram como refúgios espirituais em meio à rotina intensa da capital fluminense.

Segundo Salvino, o objetivo vai além de um reconhecimento simbólico. A ideia é garantir proteção a esses espaços que, para muitos, representam mais do que locais físicos são territórios de fé, onde pessoas buscam respostas, consolo e direção espiritual. Em um cenário urbano cada vez mais pressionado por expansão imobiliária e conflitos de uso do solo, iniciativas como essa levantam uma questão importante: até que ponto práticas religiosas populares devem ser preservadas como patrimônio coletivo?

Dados do IBGE, com base no Censo 2022, ajudam a contextualizar o peso dessa discussão. Cerca de 25% dos moradores do Rio de Janeiro se identificam como evangélicos, número que sobe para 32% no estado. Isso mostra que os montes de oração não são fenômenos isolados, mas parte de uma expressão religiosa significativa e crescente.

Além da dimensão espiritual, esses espaços também cumprem uma função social. Em muitas comunidades, funcionam como pontos de encontro, apoio emocional e até rede informal de solidariedade entre moradores. É nesse aspecto que o projeto ganha força: ao reconhecer esses locais, o poder público também valida práticas culturais que surgem de forma espontânea nas periferias e bairros populares.

Se aprovado, o projeto deve incluir os montes no rol de bens protegidos pelo município, garantindo sua preservação e reconhecimento oficial. Ainda assim, a proposta pode enfrentar questionamentos sobre laicidade do Estado e critérios para reconhecimento de patrimônios religiosos um debate que, inevitavelmente, acompanha iniciativas desse tipo.

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