Intolerância religiosa dispara no DF e expõe avanço de crimes de preconceito

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Imagem Canva Pro

Os crimes de preconceito estão em alta no Distrito Federal e um tipo específico tem chamado atenção das autoridades: a intolerância religiosa. Dados da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelam um crescimento consistente ao longo da última década, indicando uma mudança preocupante no comportamento social da população.

Em 2017, foram registradas apenas 16 ocorrências de discriminação religiosa. Já em 2025, esse número saltou para 73 casos um aumento de 356%. O dado, por si só, já seria alarmante, mas o cenário fica ainda mais preocupante ao observar os números mais recentes: apenas entre janeiro e março de 2026, já foram contabilizadas 20 ocorrências, superando anos inteiros do passado.

O levantamento, obtido via Lei de Acesso à Informação, mostra que o crescimento não se limita à intolerância religiosa. Outros crimes ligados ao preconceito também seguem em alta. Casos de injúria racial, por exemplo, mais que dobraram no período analisado: passaram de 431 registros em 2017 para 870 em 2025. A curva de crescimento se intensificou especialmente a partir de 2021, indicando um agravamento no cenário pós-pandemia.

Também houve aumento nos registros de injúria preconceituosa contra idosos e pessoas com deficiência. Em 2017, foram 155 ocorrências; em 2025, o número subiu para 212. Apenas nos primeiros meses de 2026, já são 61 casos um ritmo que, se mantido, pode levar a novos recordes negativos.

Para o delegado Marco Farah, da PCDF, os dados revelam mais do que estatísticas: refletem um “extremismo cotidiano” que vem se consolidando na sociedade brasiliense. A expressão chama atenção por traduzir a banalização de atitudes discriminatórias no dia a dia muitas vezes naturalizadas ou silenciosas.

Especialistas apontam que o aumento pode estar ligado a múltiplos fatores, como polarização social, crescimento do discurso de ódio nas redes e maior disposição das vítimas em denunciar. Ainda assim, o avanço dos números indica que o problema está longe de ser apenas perceptivo ele é real, mensurável e crescente.

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